sexta-feira, 28 de novembro de 2008

E obvio.....O dinheiro antes do que o cidadão!

http://freeride.blig.ig.com.br/2008/10/19197010.html

Parem tudo, renovem o asfalto, um carro vai passar

Vão reasfaltar a Av. Pedro Álvares Cabral, em frente ao Parque do Ibirapuera. Aquela, onde tem o Obelisco aos Heróis de 32 e o Monumento às Bandeiras, que o pessoal chama de "empurra-empurra"... E vão recapear em caráter de urgência!

Mas por que? A avenida está toda esburacada, atrapalhando a circulação dos veículos que nela transitam? Não.

Ocorreu alguma desgraça, do tipo solapamento por infiltração de água das chuvas, explosão de encanamento subterrãneo de gás, chão rachado por terremoto, queda de meteoro, aterrissagem do Hancock? Também não.

Passo todos os dias nessa avenida e posso dizer que ela está acima da média das vias de São Paulo. Não tem nem aquelas ondulações em forma de onda nas laterais da pista, apesar dos ônibus que passam por ali.

Então por que é que vão gastar o meu dinheiro, o seu, recapeando justamente ESSA avenida, com tantas em São Paulo?

Para um carro passar.

Como? Não entendi...

É, para um carro passar! Ah, mas não é um carro qualquer... É um carro que não pode trafegar em vias normais, porque não tem seta, triângulo, extintor, excede fácil o limite de velocidade, não tem placa, não foi licenciado, não pagou IPVA e se a pista tiver muita ondulação, ele não passa.

Por isso, vão fazer um asfalto novo. Pra esse carro passar.

Também vão interditar a avenida. Enquanto esse carro estiver lá, ninguém passa. Carros, ônibus, motos, ninguém. Nem mesmo as pessoas. Estão proibidas de passar ali. Claro, podem ficar de longe aplaudindo. Aplaudindo um carro passar.

O carro é um carro de corrida. Projetado para circular em autódromos, que têm um asfalto diferente do das ruas. Então, como a rua não está adaptada para esse carro, vamos reasfaltar... Vamos mudar a rua para que UM veículo possa passar. Para fazer uma exibição. Para mostrar a marca de um fabricante de automóveis, a Renault. Esse veículo é um carro de Formula 1. Vão gastar o meu dinheiro e o seu para um showzinho de uma empresa.

Todos os dias, milhares de ônibus passam por essa avenida. Nos horários de pico (que ocupam uma parte cada vez maior do dia), eles têm que ficar presos atrás do oceano de carros. Um ônibus com 50 pessoas esperando 50 carros com 1 pessoa, na distância que separa um ponto do outro. E não há pista exclusiva. Não adaptam a via para o ônibus passar.

Todos os dias, centenas de bicicletas passam por ali. Desviam dos carros parados, ouvem buzinadas nos poucos momentos em que eles andam, querendo recuperar em 10 segundos a última hora de frustração. Não há ciclofaixa, nem sinalização viária indicando a presença de bicicletas. É preciso ocupar o mesmo espaço que deveria ser exclusivo dos ônibus e torcer para nenhum deles passar raspando. Não adaptam a via para a bicicleta passar.

Ah, mas vão adaptá-la para o carro passar. Isso vai custar R$ 220 mil reais e estão pensando em botar na conta do papa. O secretário de esportes do município, Walter Feldman, disse ao UOL Esporte (é, automobilismo é considerado esporte) que "se o evento for considerado estratégico, a organização não paga. Se não for, ainda não definimos se é a empresa ou a secretaria que arca com a despesa".

Não sei o que ele considera estratégico. Não sei como isso incentivaria o esporte no país. E também não sei o que ele considera "organização" (de quê?) e "empresa". Empresa acho que é a Renault. Organização eu sei lá quem é. Só sei que a Secretaria sou eu. Eu quem vou pagar. E você também, se mora aqui em São Paulo. Na mesma entrevista, o secretário de esportes diz que "é prioridade absoluta recapear o trecho para o evento". Prioridade absoluta para o esporte. Certo.

Espero que o Sr. Feldman, a quem eu (ainda) nutro algum respeito, reveja essa posição. Se uma empresa quer fazer o seu showzinho usando as ruas da nossa cidade, que pelo menos pague para isso. Precisa de asfalto novo para fazer o show? Então dê esse asfalto de presente para a cidade. É o mínimo que se pode fazer. A fumaça no ar a gente engole quieto, a interdição e o congestionamento a gente também até aceita. Já estamos acostumados! Mas pelo menos não dêem prejuízo direto. Não usem para um show particular o dinheiro que poderia ser usado na saúde, na educação, na merenda escolar, na pintura de faixas de pedestres que foram sepultadas na cidade toda ou em qualquer outro lugar que seja necessário em caráter de urgência. Acho que precisamos rever nossas "prioridades absolutas". Aliás, a lei manda pagar os custos da CET. E a ética, a responsabilidade e o bom senso mandam pagar o asfalto novo.

O piloto disse que "vai ser uma experiência única passar voando baixo pela avenida que circunda o Parque do Ibirapuera a bordo de um F-1". Voando. Espero que nenhum pedestre resolva atravessar, como aconteceu no evento da Red Bull, em que nos vídeos dava para perceber um pedestre atravessando a rua segundos antes do carro passar, senão quem pode sair voando é o pedestre.

A rua não é lugar de "voar baixo" e não deveria ser usada para isso, nem de brincadeira. Um evento desse tipo e uma declaração dessas estimulam nos motoristas a vontade de dirigir rápido nas ruas. A F1, restrita aos autódromos, já incentiva mais que o suficiente, não precisamos mostrar isso na mesma rua em que os motoristas dirigem todos os dias. O excesso de velocidade é uma das maiores causas de mortes no trânsito. A visão de que dirigir rápido é algo cool se propaga fácil pelas mentes dos Ayrton Sennas de avenida, que um dia errarão uma curva, escorregarão numa freada e vão assassinar alguém em outro carro, em uma moto ou até na calçada esperando o ônibus.

Nossa cidade não precisa disso. Principalmente se nós é que vamos pagar a conta da publicidade da montadora. Já não basta pagar pelos carros, pelo seu custo em saúde e em vidas, pelas mortes no trânsito, pela degradação urbana e pelo desgaste social que eles nos impõem? Ainda temos que pagar pela propaganda?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Agua ....Ótimo remédio!

BEBA água com estômago vazio.
Hoje é muito popular no Japão beber água imediatamente após levantar, na parte da manhã.
Além disso, a evidência científica tem demonstrado estes valores.
Abaixo divulgamos uma descrição da utilização da água para os nossos leitores.
Para idosos com doenças graves e doenças em tratamento médico, a água tem sido muito bem sucedida.
Para a sociedade médica japonesa, uma cura de até 100% para as seguintes doenças:
Dores de cabeça, corpo ferido, problemas cardíacos, artrite, taquicardia, epilepsia, excesso de gordura, bronquite, asma, tuberculose, meningite, aparelho urinário e doenças renais, vomitos, gastrite, diarréia, diabetes, hemorróidas, todas as doenças oculares, obstipação, útero, câncer e distúrbios menstruais, doenças de ouvido, nariz e garganta.

Método de tratamento:

1. Na parte da manhã e antes de escovar os dentes, beber 4 x 160ml copos de água.
2. Lavar e limpar a boca, mas não comer ou beber nada durante 45 minutos.
3. Após 45 minutos, você pode comer e beber normalmente.
4. Após os 15 minutos do lanche, almoço e jantar não se deve comer ou beber nada durante 2 horas.
5. Pessoas idosas ou doentes que não podem beber 4 copos de água, no início podem começar por tomar um copo de água e aumentar gradualmente a quantidade para 4 copos por dia.
6. O método de tratamento cura doenças e outros podem desfrutar de uma vida mais saudável.

A lista que se segue apresenta o número de dias que requer tratamento para curar / controle / reduzir as principais doenças:

1. Pressão Alta - 30 dias
2. Gastrite - 10 dias
3. Diabetes - 30 dias
4. Obstipação - 10 dias
5. Câncer - 180 dias
6. Tuberculose - 90 dias
7. Os doentes com artrite devem continuar o tratamento para apenas 3 dias na primeira semana e, desde a segunda semana, diáriamente.

Este método de tratamento não tem efeitos secundários. No entanto, no início do tratamento terá de urinar frequentemente.
É melhor, se continuarmos com o tratamento, porque este procedimento funciona como uma rotina de nossas vidas. Beber água é saudável e dá energia.
Isto faz sentido: o chinês e o japonês bebem líquido quente com as refeições, e não água fria.
Talvez tenha chegado o momento de mudar seus hábitos de água potável para água quente, enquanto se come. Nada a perder, tudo a ganhar ...!
Para quem gosta de beber água fria, esta secção aplica-se a eles.
É bom beber um copo de água fria ou uma bebida fria após a refeição, porém, a água fria ou bebida fria solidifica o alimento gorduroso que você acabou de comer. Isso retarda a digestão.
Uma vez que essa 'mistura' reage com o ácido digestivo, ela reparte-se e é absorvida mais rapidamente do que o alimento sólido para o trato gastrointestinal. Isto danificada o intestino.
Muito em breve, isso vai se transformar em gordura e pode nos levar ao câncer. É melhor tomar uma sopa quente ou água quente após cada refeição.
Nota muito grave - perigoso para o coração: As mulheres devem saber que nem todos os sintomas de ataques cardíacos vão ser uma dor no braço esquerdo.
Esteja atento para uma intensa dor na linha da mandíbula. Você pode nunca ter primeiro uma dor no peito durante um ataque cardíaco. Náuseas e sudorese intensa são sintomas muito comuns.
60% das pessoas têm ataques cardíacos enquanto dormem e não conseguem despertar. Uma dor no maxilar pode despertar de um sono profundo. Sejamos cuidadosos e estamos vigilantes.
Quanto mais se sabe, maior chance de sobrevivência ...


domingo, 12 de outubro de 2008

SALTWATER - CONCIENCIA DE NUESTRO PLANETA

AGUA SALADA BROTA DE MIS OJOS

SALTWATER 1992

Somos una roca grande
Alrededor del dorado sol
Somos mil millones de niños
fundidos en uno solo
Pero cuando escucho del agujero en el cielo,
Agua salada brota de mis ojos.
Hemos escalado la mas alta montaña
Haremos el desierto florecer
Nos sentimos tan ingeniosos
Por caminar en la luna.
Pero cuando yo escucho de cómo los bosques van muriendo.
Agua salada brota de mis ojos.
He vivido para el amor
Pero ya no basta
Porque el mundo que yo amo
Se muere.
Y por eso lloro
Y el tiempo no es amigo,
(mio no lo es)
El tiempo se termina
Y veo todo pasar, tan lentamente ante mis ojos.
Podemos iluminar el fondo del océano,
Hasta enviar fotos desde Marte.
Nos maravillamos por lo astutos que somos
Y entonces porque, debe llorar un bebe
Por lo hambriento que esta..
Agua salada brota de mis ojos.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

63 ANOS DA VERGONHA DO ATAQUE A CIVIS EM HIROSHIMA E NAGASAKI






Em 6 de agosto de 1945, às 8h15 da manhã, a primeira bomba nuclear usada contra civis foi lançada pelos EUA sobre a cidade de Hiroshima, no Japão. Três dias depois, uma segunda bomba arrasou a cidade de Nagasaki. Mais de 140 mil pessoas morreram nas duas cidades devido aos ataques. Em Hiroshima, apenas 10% das construções ficaram intactas, 62,9% dos edifícios foram totalmente queimados ou destruídos. Uma bolha de fumaça, o famoso "cogumelo", atingiu 12 km de altura em minutos após a explosão.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

A COMUNIDADE YUBA - UM EXEMPLO PARA O MUNDO!

Cultivo de sonhos
Katsuo Takimoto é um
dos moradores mais
velhos da Comunidade
Yuba. E carrega consigo
a história de uma das
mais bem-sucedidas
experiências de vida
comunitária no Brasil,
onde o cultivo do campo
e da arte têm igual valor.

Lavrando Arte
Inspirada em Rousseau, Marx, na Bíblia e nos kibutzim
israelenses, uma comunidade de japoneses e descendentes
no interior de São Paulo dedica-se a plantar sonhos
e colher arte.

texto : Lucille Kanzawa, de Mirandópolis


Quando não estão cultivando a terra, os 70 moradores
desta comunidade dedicam-se à dança, à música, ao teatro,
à literatura e à pintura.

Imagine um lugar onde as pessoas trabalham sem salário,
mas todos têm casa,comida e assistência médica garantidas.
Ninguém recebe ordens de ninguém.Cada um ajuda como pode,
conforme a idade permite. Nas horas de folga, todos
se dedicam à dança, à música, à pintura, à leitura e
ao teatro. A arte,aqui, se cultiva com tanto esmero quanto
o plantio de frutas e legumes. Quem chega logo percebe que
a entrada é livre. Não há muros nem portões. A única ba-
rreira pode ser o idioma, caso você não fale japonês. A
sensação é a de ter atracado na mítica ilha de Utopia,
idealizada no século 16 pelo escritor inglês Thomas More.
Ou talvez de descobrir um insólito kibutz israelense onde
todos seus habitantes falam japonês. Mas basta conviver
por algum tempo com os 70 moradores da Comunidade Yuba,
nos arredores deMirandópolis, no interior de São Paulo,
para aprender que esses
imigrantes e descendentes de japoneses nada fazem senão
cumprir a missão de manter viva a ideologia semeada há
oito décadas por seu fundador, Issamu Yuba: cultivar a
terra, orar e amar as artes.

Antes mesmo de o sol nascer, Katsuo Takimoto, de 82 anos,
já está de pé fazendo sua sagrada ginástica matinal.
Quando às 6h15 o som de um berrante
anuncia que o café da manhã está na mesa,
Kuma-san ("urso", em japonês),como Takimoto é chamado por
todos,é um dos primeiros a chegar ao grande refeitório.
De formação cristã, é ele quem faz a primeira oração do
dia e convoca a todos para um minuto de silêncio.


Quando não estão cultivando
a terra, os 70 moradores desta
comunidade dedicam-se à dança,
à música, ao teatro, à literatura
e à pintura

As mesas e os bancos são longos, a comida é farta. O
café e o leite são produção própria. O pão foi assado
no forno a lenha e o queijo e as geléias foram preparados
pelas mulheresque se revezam semanalmente na cozinha.
Ovo cozido não podefaltar,e vem da pequena granja que em
outros tempos já foi a maior da América Latina.
Para os que preferem um cardápio mais oriental,há arroz,
sopa de soja e peixe.As crianças e os adolescentes são
os mais apressados:logo passará o ônibusque os levará
à escola estadual próxima à fazenda.

Os que ficam já conhecem bem suas tarefas. Trabalhar não é
obrigatório. Se alguém quiser dormir durante o dia, ninguém
irá criticá-lo por isso. Mas todos sabem de cor as palavras
do fundador que dizem que "a liberdade depende da responsa-
bilidade de cada um". Katsue, Keiko, Yo, Yassuko e Hana-tian
começam então a cuidar da limpeza e da preparação do almoço,
enquanto Podin e Emi correm para a lavanderia coletiva.
Kuma-san sai de fininho e, como todo dia, se dirige a um
galpão bem rústico onde um piano de cauda divide o mesmo abrigo
com máquinas agrícolas. Enquanto dedilha concentrado a "Sonata
ao Luar" de Beethoven, luzes potentes se acendem. É Yuzo quem
entra para dividir a cena e secar os grãos de feijão azuki que
há dias cobrem o grande palco de madeira. As cortinas se fecham,
as luzes se apagam. As mão de Kuma-san agora estão prontas para
fazer pequenos reparos no galinheiro, enquanto as de Yuzo vão
se juntar às dos outros companheiros na lavoura.


só japonês
Com 100 anos de idade, Tatsukichi
Naganawa é o morador mais velho
da comunidade. Como todos os de
sua geração, ele não fala
português. Passa o dia lendo
algum dos 10 mil livros em
japonês que circulam pelo lugar.

Missao e Hiroshi já estão na horta escolhendo as verduras
e os legumes para o almoço. Helen, Nozomi, Mie, Assaka e
Maurício fazem parte do mutirão de jovens que todos os dias
vão trabalhar na colheita de goiaba, principal fonte de
renda da comunidade. Mitsue cuida dos suínos, enquanto Flávio,
Lintaro e Kogiro se ocupam do gado leiteiro. Tsuji, Saki,
Junko e Evelyn garantem a produção do cogumelo shitake.
Fujiko pode estar na granja ou cortando lenha.
Douglas, Daigo e Issamu Yazaki já estão prontos para
entregar os produtos colhidos nos supermercados da região
de Mirandópolis.Amanhã tudo será diferente, e cada um dos
moradores estará em outro lugar.
Com poucas exceções, as pessoas trabalham num sistema de
rodízio para garantir que todos aprendam um pouco de cada
função.

Às 12h15 o mesmo berrante da manhã avisa que é hora do almoço.
No cardápio,pratos japoneses se misturam a brasileiros.
Hashis, os tradicionais palitos,confundem-se com garfos e facas.
Mas a língua é uma só: o japonês. Muitos moradores nem sequer
falam português. Depois da refeição, o salão pulsa como
nunca. Esse é o coração da Comunidade Yuba, e há tempo e
espaço de sobra para um bate-papo, uma sessão de vídeo,
um ensaio rápido de canto e piano,trabalhos artesanais e
até um corte de cabelo. Isso quando não acontece um
batizado, um casamento ou um velório. Mitsue aproveita
o tempo livre para fazer cerâmica, enquanto Maurício põe
em prática as habilidades que aprendeu
com o tio na oficina de luteria.


vida comunitária
Todo dia, o berrante anuncia
a hora de acordar e a das
refeições. A vida é a mesma de
uma fazenda, mas tudo aqui é
comunitário, do serviço ao lucro..

Os estímulos estão por toda parte e as vocações são
cultivadas onde quer queelas se manifestem. Seja na
varanda de uma casa, num jardim de esculturas,numa
oficina mecânica, num treino de beisebol, seja na
biblioteca de mais de10 mil títulos (a maioria doados
e em língua japonesa). As crianças têm aulas de música,
balé, pintura e do idioma japonês desde cedo, mas também
são educadas a cuidar da horta e a realizar pequenas
tarefas, como limpar as mesas e recolher as roupas do varal.
Para Assaka Yuba, mãe de seis filhos, é importante que
a criança aprenda a se conscientizar da importância da
participação de cada um na vida comunitária. Ela sempre
viu tudo com muita naturalidade, nunca como obrigação.
"Dedicar-nos à arte e ao trabalho é como
respirar e comer. É nossa vida", diz.

Para a maioria dos adultos, as atividades artísticas
só começam mesmo à noite. Por isso, após um belo banho
de ofurô e do jantar, sempre há música
no ar. Pode vir do clarinete de Tsuji, da flauta
transversal de Nozomi, do piano de Fujiko, do violoncelo
de Assaka, do acordeão de Keiko, do violino
de Massakatsu ou de um grupo de coral. As segundas,
quartas e sextas são sempre reservadas às aulas de balé,
carro-chefe da Comunidade Yuba. Quem
comanda é a bailarina Akiko Ohara, de 68 anos.

Formada em dança contemporânea em Tóquio, ex-colega de
palco de mestres da dança como Tatsumi Hijikata e Kazuo
Ono, ela chegou à comunidade em 1961 como marido e escultor,
Hisao Ohara, e revolucionou a vida artística de seus
integrantes. Segundo Akiko, no Japão sua dança era cercada
de limites.Procurava o que queria expressar e nunca encontrava.
Aqui viu tudo muitolimpo, puro, aberto e sentiu-se livre para
fazer nascer o que é o hoje o Balé Yuba. Graças a seu alto
nível técnico e artístico e à sua versatilidade, o grupo já
fez 750 apresentações pelo Brasil e pelo Japão e
já teve cenários desenhados por artistas renomados,
como Manabu Mabe e Yashika Takaoka.


música na horta
A música é uma das artes mais
presentes na vida da comunidade.
As mesmas mãos que colhem
verduras mais tarde dedilham
violinos e violoncelos.

Liberdade é o que também buscava Yoshiki Tsuji,
de 53 anos, quando em 1975saiu do Japão para dar
a volta ao mundo. Parte dela de bicicleta. Após quase
cinco anos viajando por lugares como Paquistão,
Afeganistão, Irã, Grécia e África, Yoshiki veio parar
na Comunidade Yuba. A intenção de passar algumas
semanas por aqui acabou transformando-se em meses
e depois em anos, quando decidiu casar-se com Junko Yuba.
Hoje tem quatro filhos, responde pelo
cultivo de shitake e nem pensa em sair daqui.

Masakatsu Yasaki, de 61 anos, também foi um dos forasteiros
que vieram do Oriente e acabaram se identificando com o que
alguns chamam de "Yubaísmo".Quando chegou aqui em 1963,
aos 19 anos, ele já tocava violão e só pensava
em aprimorar sua técnica, mas aprendeu com o mestre Issamu
Yuba que "técnica é diferente de arte", que "um lavrador
tem que ser artista" e que "a arte nasce da terra e deve
viver da terra". Depois de fazer crescer uma plantação
inteira de arroz, Masakatsu entendeu por fim o sentido
das frases. "Foi comoescrever um poema numa folha de
papel em branco", lembra.

Casado com Keiko, sobrinha de Issamu Yuba, Masakatsu
é hoje o mais versátil dos moradores da comunidade.
Sapateiro, violinista, compositor, regente da orquestra
mirim, fotógrafo, cinegrafista, sonoplasta: o currículo
é vasto.Não é por acaso que ele se tornou o responsável
pelo acervo de documentos,
fitas de vídeo e reportagens sobre a Comunidade Yuba.


o mesmo palco
Durante o ano, o palco do teatro
serve também para a secagem
de grãos (acima).
É o mesmo palco onde, no Natal,
quatro gerações de Yubas
mostram sua arte.
As crianças aprendem desde
cedo a trabalhar a terra
e o talento artístico.

Mas é ali fora, a céu aberto, que estão expostos
os documentos mais concretos e expressivos do lugar:
as esculturas de Hisao Ohara, que ocupam
um jardim projetado pelo artista plástico
Kazuo Wakabayashi. Formado pela Universidade de Tóquio,
Hisao encontrou na comunidade a paz e a
tranqüilidade que buscava e viu na natureza sua fonte
de inspiração.Escolheu o granito para expressar sua arte.
"Por ser um material rebelde, dou-lhe formas suaves", dizia.
Nos 28 anos em que viveu aqui, esculpiu
sempre debaixo de uma grevílea. No dia seguinte à sua morte,
em 1989, a árvore começou a secar e também morreu.

Essa história transformou-se num dos contos do livro Katsue
e seus Contos,de Renata Katsue Yuba, filha do fundador.
No universo que criou dentro da casa que ela mesma construiu,
Renata pinta, canta e escreve com refinada sensibilidade.
"Meu pai sempre me dizia: ´Converse com Deus. Converse com a
natureza. Procure você dentro da arte e da oração'." E foi na
arte que ela encontrou a facilidade de convivência com os demais
companheiros. "Quando estamos no palco, todas as divergências
que existem entre nós desaparecem."

A advogada Satiko Yuba, relações públicas da comunidade,
explica que as discordâncias existem como em toda casa,
com a diferença que esta é uma grande família.
"Fazemos de tudo para conviver em harmonia, porque sabemos
que disso depende nossa sobrevivência. Conflitos geram
desintegração", diz.Ela conta que há 20 anos mudou-se
para cá quando se casou com Sérgio Yuba,um dos filhos do
patriarca. "Foi como se tivesse me casado com cem pessoas,
cada uma com seus pensamentos e manias. Tive que mudar
para poder seguir o estilo de vida dos Yubas.
Todo dia é uma grande lição."


Hoje Satiko é a primeira-secretária da associação que
a comunidade criou após a morte do último líder,
Tetsuhiko Yuba, filho de Issamu, em 2003. Ela assim como
todos os membros da diretoria, chegaram à conclusão de que
precisam dar condições para que os jovens que foram embora
voltem. Além disso, há uma preocupação em incentivá-los
a se casar com pessoas de fora,uma vez que a maioria
qui já se tornou parente.

Luís Yuba, sobrinho de Issamu, que, além de trabalhar
nas plantações de abóbora, milho verde e mandioca,
é presidente da associação vai mais longe:
"Para garantir o futuro, temos que mudar. A realidade
existe e não podemosficar aqui sonhando num mundo de utopia.
Cada um tem que ser responsável por si e pela comunidade".
Para ele, a Comunidade Yuba não é nenhum modelo de
sociedade e, para os que chegam aqui tentando defini-la,
ele logo diz: "É apenas um lugar com uma maneira diferente
de se viver". E resume: "Sempre nos ensinaram que o dinheiro
era o grande mal da humanidade, mas infelizmente precisamos
dele também". Se o progresso material vem a passoslentos e
com muitos tropeços ­ porque nunca foi a prioridade dos Yubas ­,
as conquistas que eles tiveram nos campos artístico e espiritual
são inegavelmente ilimitadas.

Quando chega o Natal e as cortinas do palco do velho barracão
se abrem, as quatro gerações que se apresentam são a prova
viva de que o sonho de Issamu Yuba ainda consegue resistir
ao tempo e às ordens do capitalismo. Aqui não há leis,
concorrências, disputas ou ambições mesquinhas. Todos contribuem
para o bem-estar coletivo sem deixar de respeitar a individualidade
de cada um. Assim como Hisao Ohara deu formas sublimes à dureza
do granito, esses bravos lavradores conseguem nos mostrar que,
unidos na alegria e na tristeza, é possível cultivar no mundo
primitivo do campo a mais refinada
forma de arte.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

LIN YUTANG DIZ:

A paz da consciência é o maior de todos os dons. Uma pessoa com a consciência limpa não tem motivos para temer os espectros.

Lin Yutang