quarta-feira, 2 de julho de 2008

TRANSITO É EDUCAÇÃO

Educar versus punir e os conceitos distorcidos

Educar versus punir e os conceitos distorcidos

O Denatran determinou que os radares sejam sempre sinalizados claramente, com placas indicativas e disponibilizados de forma visível. Multas que forem aplicadas por radares escondidos não terão mais validade.

A justificativa para isso é sempre a de que deve-se "educar em vez de punir". Claro, concordo. Não se deve punir alguém que não foi previamente instruído sobre o que se pode ou não fazer, porque estaria-se castigando um inocente. Mas vejamos:

O que é mais importante, decorar o nome correto da placa ou saber o que se espera do motorista ao avistá-la?
- A primeira educação que um motorista recebeu sobre velocidade no trânsito foi na auto-escola. Ou pelo menos deveria ser, se as pessoas não fizessem as aulas só para conseguir o documento e sim para aprender a dirigir direito. E dirigir não é só apertar os pedais e mover as alavancas com o sincronismo correto e saber encaixotar o carro entre dois pauzinhos, como o exame prático exige de nós. Ou decorar a placa que corresponde a "área de campismo", uma das questões que podem ser encontradas no exame teórico. Muito mais importante é ensinar a respeitar uma placa de "Passagem sinalizada de escolares", que hoje em dia serve só de enfeite e é afixada nos postes apenas para se cumprir uma determinação legal na sinalização da via. Que motorista diminui a velocidade ao ver uma placa dessas? Que motorista percebe uma placa dessas? Instruir é educar.

Em iniciativa da ONG Ruaviva, "anjos" lembraram os motoristas sobre os limites de velocidade
- A segunda educação que o motorista recebe é a placa que sinaliza a velocidade máxima permitida na via. Se está escrito 60km/h, vamos andar a 60km/h. Informar é educar.

Depois de devidamente instruído e informado, portanto devidamente educado, o motorista recebe uma multa por excesso de velocidade. Se irrita, exibe o belo discurso de que é necessário educar e não punir, fala em "indústria das multas", diz que a prefeitura enche os bolsos com as multas aplicadas. Ué, mas ele já não foi educado? Se ele não sabe para que serve aquela placa, não deveria dirigir. E quantas dessas multas são realmente indevidas? Quantas multas foram aplicadas em veículos que não cometiam infração nenhuma? Quem está errado, o radar fotográfico ou o motorista?

Enquanto isso, vemos estatísticas como essa, que diz que os atropelamentos são a maior causa de mortes no trânsito em São Paulo. Ou seja, quase metade dos mortos em acidentes de trânsito não estavam nem dentro dos carros! Quem está errado, o pedestre ou o motorista?

Repare que o vídeo dessa reportagem diz que o motorista de um ônibus "perdeu o controle" e atropelou um grupo de pessoas que estava na calçada. A máquina começa a agir sozinha. Diz o repórter que o veículo "desgovernado" derrubou três postes, invadiu um canteiro e passou por cima de um monte de gente. É simples assim, perde-se o controle: o motorista está dirigindo ali, calmamente, atento e concentrado. De repente ele "perde o controle", como se ele próprio fosse uma das vítimas da máquina demoníaca. Imagine se um açougueiro "perde o controle" do facão que usa para cortar as carnes, ou se um cabeleireiro "perde o controle" de sua tesoura! Mas perder o controle de um carro é sempre uma boa desculpa. De fato, perde-se o controle muito fácil ao dirigir: em uma fechada, no trânsito parado, até ao ver um pedestre que ainda não terminou de atravessar quando o sinal abriu...

No final, a reportagem tenta justificar os atropelamentos mostrando vários pedestres que se recusam a usar uma passarela da região e atravessam em meio aos carros. Claro que há casos em que os pedestres se arriscam, mas os atropelamentos não acontecem apenas em situações assim. Que o diga a família da moça que morreu atropelada por esse ônibus...

E o pior é que o direito do carro particular sobre o espaço público se tornou parte tão integrante da nossa cultura urbana, que muitas pessoas partem do princípio de que o pedestre é que não deveria estar na rua. Por esses dias estava almoçando com alguns amigos quando ouvimos uma freada seca: um carro, ao fazer a curva para entrar numa rua em alta velocidade, quase atropelou meia dúzia de pedestres que atravessavam na faixa. Uma das pessoas na mesa disse, irritada: "mas também, o cara me atravessa com o farol aberto!". Eu ri e lembrei ele que não há sinal de pedestres naquele cruzamento, que se o pedestre fosse esperar o sinal abrir para ele, não atravessava. Ele não entendeu! Retrucou que "mesmo assim, tem que passar correndo, não pode atravessar devagar assim".

Achei melhor não discutir. Ele não compreenderia se eu tentasse explicar que a prioridade é do pedestre (tanto ética como legalmente), que nem todos conseguem atravessar a rua correndo e que portanto o normal é atravessar andando, que o motorista tem que olhar antes de entrar na rua se tem alguém na faixa que está ali na esquina, bem visível para ele, e tudo o mais. Achei melhor não estragar meu almoço. No dia que um carro cantar pneu em cima dele, duvido que ele se considere errado. Pessoas assim nunca estão erradas, no máximo se enganam... ;)

CONSUMO EXCESIVO E AMBIENTE

Consumo é vilão ambiental, diz americano

Para antropólogo Emilio Moran, nascido em Cuba, é preciso "aprender a desligar a televisão" e dizer "não" a mercados

Estudioso da Amazônia, pesquisador cobra estímulo à indústria regional; "em 30 anos, PIB da população da região subiu menos de 1%"

Divulgação

Antropólogo Emilio Moran lança livro em evento em São Paulo

EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL

Para resolver o problema ambiental nº 1 do mundo, a receita do antropólogo Emilio Moran, 61, nascido em Cuba, mas morador dos Estados Unidos desde os 14 anos, chega a ser prosaica. "Temos que aprender a desligar a televisão. Ela é a principal ferramenta do consumismo", afirma o especialista em América Latina, que há mais 30 anos investiga o desenvolvimento humano da Amazônia brasileira.
Apesar de a entrevista ter sido feita em um hotel a meio quarteirão da rua Oscar Freire (o palco das grandes grifes mundiais em São Paulo fora dos shoppings) o entrevistado, com orgulho, comenta: "Esta calça que estou usando eu comprei há 25 anos."
Moran é um acadêmico tradicional e assiste televisão. Na Universidade de Indiana, ele dirige um centro que une a antropologia às mudanças climáticas globais - o agricultor amazônico, por exemplo, segundo uma pesquisa feita pelo grupo, não sabe se proteger contra o El Niño, porque ele não registra essas oscilações naturais ao longo do tempo.

Pobreza amazônica
Se o modelo mundial de desenvolvimento, para o pesquisador, está errado, o da Amazônia idem. "Nos últimos 30 anos, o aumento do PIB da população amazônica subiu menos de 1%. Na região, quem ganha é quem já era rico em São Paulo e no Rio de Janeiro."
O antropólogo, que chegou à floresta no início das obras da rodovia Transamazônica, diz que pouco mudou na região. "Não existe infra-estrutura para o pequeno agricultor. A estrada, por exemplo, não mudou muito, continua ruim. Existe ausência de governo na Amazônia com toda a certeza."
Os grandes produtores, lembra o pesquisador, montam sua própria infra-estrutura e acabam fugindo do problema encontrado pelos menores.
"Falta compromisso com a indústria regional, que poderia valorizar os produtos amazônicos. Daria, por exemplo, para fazer uma fábrica de abacaxi enlatado, ou de suco". São várias opções disponíveis, diz Moran, que trabalha em áreas críticas, como Altamira (PA).
A experiência acumulada no campo, inclusive nos recantos amazônicos, é que leva o antropólogo a afirmar: "O maior problema ambiental do mundo é o consumismo. O mercado ensina egoísmo e o indivíduo cada vez mais está centrado em si mesmo", afirma.
Parte do caminho para sair dessa cilada ambiental, Moran apresenta no livro "Nós e a Natureza" (Editora Senac), lançado anteontem no Brasil. "É um livro mais apaixonado. Experimentei a sensação de ir além dos escritos acadêmicos", diz.
Para reforçar seu ponto de vista, de que o modelo mundial é insustentável, Moran usa exemplos da classe média brasileira e da sociedade americana. Ambas ele conhece bem.
No caso nacional, cita a história em que um filho de uma família de classe média do interior de São Paulo comentou com a mãe que eles eram pobres. O motivo era a ausência de uma televisão de plasma na sala, em comparação com a residência do vizinho.

"Subprime" ambiental
"No caso americano, a crise imobiliária é também um problema claro de consumismo", afirma Moran. "O americano, na média, está todo endividado. A maioria paga apenas os juros. Cada um tem uns US$ 20 mil em dívidas só no cartão de crédito". E isso, segundo ele, apenas para querer ter mais e mais. "No caso do mercado imobiliário, por exemplo, muitos fazem a segunda hipoteca [antes de quitar a primeira] para mudar para uma casa maior.
Segundo o antropólogo, enquanto nos anos 1950 a casa de uma família média americana tinha uma vaga na garagem e 140 metros quadrados para seis pessoas, hoje ela tem espaço para três carros e 300 metros quadrados para quatro pessoas.
E os carros, lembra Moran, queimam petróleo cada vez mais em maior quantidade, por causa do tamanho e da potência do motor. "Tenho feito o caminho inverso. Hoje, tenho um carro pequeno e de quatro cilindros", conta o cientista.
Apesar de o quadro ambiental mundial ser dramático, o antropólogo afirma ser otimista e retrata isso em seu novo livro também. "Se não existir esperança, o melhor é pendurar as chuteiras e ir embora."
Para Moran, é o consumidor individual o único que tem poder de ação de fato. "As pessoas podem chegar e dizer "não". Elas podem não consumir mais porque aquilo vai endividá-las e criar pressões [ambientais]".
Além de ensinar os filhos a lerem com um olhar crítico os comerciais, todos deveriam olhar suas gavetas, seus armários, diz ele. "O importante é saber que não se está sozinho. Existem milhões de pessoas no mundo que já não aceitam esse modelo [de desenvolvimento] que nos levará ao colapso."
Moran estuda o Brasil desde os anos 1970

DA REPORTAGEM LOCAL

O antropólogo Emilio Moran estuda o Brasil desde os anos 1970. Antes de chegar aos Estados Unidos aos 14 anos, para morar em um campo de refugiados, ele nasceu e passou sua infância em Cuba, para onde nunca mais voltou.
"Eu minha mãe, que já era viúva, saímos como uma mala e US$ 5". É por isso, brinca, "que acabei conseguindo me virar com pouco". O motivo da saída foi o medo de ver o filho único ser mandado para a antiga União Soviética. "Era um boato que corria na época, de que os melhores alunos iriam para a Europa, que nunca se confirmou. Foi apenas quem optou por isso", relembra.
Discípulo do brasilianista Charles Wagley, da Universidade da Flórida, Moran, formou-se em literatura e estudou Rui Barbosa e a escravidão antes de fazer pós-graduação em antropologia. Vem desse tempo o aprendizado do português. "Fiz isso, para poder trabalhar em qualquer país da região [a América Latina]". (EG)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O lucro do caos!

Efeito colateral ou conseqüência natural?

Portando armas brancas, de fogo ou sobre quatro rodas, alguns exemplos da rima perfeita entre Motor e Morte.

Na imagem acima, a propaganda de um comércio estadunidense que está vendendo duas armas pelo preço de uma: compre um carro, ganhe um revólver.

Em São Paulo, mesmo sem a fantástica promoção, um exemplo real dos dois produtos em uso: “Briga no trânsito de SP acaba com um morto a tiro”

No Rio de Janeiro, sem as armas de fogo: “Homem é agredido com barra de ferro após briga de trânsito”

De volta à São Paulo, onde os congestionamentos literalmente enlouquecem as pessoas: “Alterada, mulher guia 5km na contramão”

E para não contrariar o slogan petrolífero que afirma “apaixonados por carros”: “Homem afirma que já fez sexo com mais de mil carros”.

Assim como a Monsanto e seu Agente Laranja desepejado no Vietnã ou como a Lockheed-Martin, pilar industrial da invasão do Iraque e financeiro do governo Bush, a indústria automobilística lavaria suas mãos e diria: “Não temos nada a ver com isso. Apenas fabricamos veículos que andam a 180km/h e fazemos propagandas estimulando o individualismo e a velocidade, mas não nos responsabilizamos pelo excesso de velocidade ou pelo individualismo de motoristas que agridem, matam ou desrespeitam outras pessoas pilotando nossos produtos”.

E seguimos acreditando que existe EcoSort, guerra pela paz, invasão para libertar ou que os automóveis são apenas veículos para o transporte.

domingo, 13 de abril de 2008

Quer vender o carro?

Não, não estou querendo comprar. O que eu quero é que você ande de bicicleta


Olha, para começar: eu odeio ser chato. Acho desagradáveis essas pessoas que têm mania de dizer aos outros o que fazer. Cada um é responsável pela vida que escolhe, acredito muito nisso. Ou, como dizia minha avó, cada um, cada um. Mas, dessa vez, só dessa vez, vou me meter na sua vida. Acho sinceramente que você deveria vender o seu carro. Ok, seu trabalho é muito longe. Vá de ônibus, poxa, tem ainda a vantagem de você ter mais tempo para ler revistas (conhece a vida simples?). Ou mude de emprego, você não está mesmo cansado do seu trabalho (quem não está?)?

Mas, e numa emergência? Pegue um táxi! Você não precisa ter um carro 24 horas por dia, 365 dias por semana só para estar pronto para uma emergência. Táxi é caro? Manter um carro, com todas as manutenções, combustível, coisa e tal, é muito mais caro. Tão caro que provavelmente ainda fica mais barato alugar um carro de vez em quando no fim de semana para viajar. E nem falei do preço do carro, que é um absurdo. Pense no tanto de coisas que você vai poder fazer com a grana da venda.

Não ter carro tem tantas vantagens... Diminuir a preguiça, aumentar a disposição, melhorar a saúde. Andar a pé pela calçada, dar bom dia para o jornaleiro, ficar íntimo da moça bonita da padaria, tomar sol (ou chuva), ver a cidade. Pedalar pela vida, no ritmo ideal, nem rápido demais para deixar de perceber os detalhes, nem tão lento que se chegue atrasado. Venda o carro, pô.

Claro que eu corro o risco de estar exagerando. Pode ser que você realmente precise de carro (se você é motorista de táxi, por exemplo, ignore meu apelo). Mas será que não dá pelo menos para deixá-lo na garagem dois, três, quatro, cinco dias por semana? Não dá para encostá-lo de dia e só ligar o motor à noite? Não dá para fazer rodízio com os amigos?

Ajude a reduzir o trânsito. Ajude a diminuir o barulho da cidade. Ajude a deixá-la mais bonita. Você já reparou no quanto os carros deixaram as cidades feias? Cidades sem carros são lindíssimas, intrincadas, agradáveis. Em vez de motores rugindo, o barulho é de vozes, de gente feliz, se encontrando.

Tudo isso sua saúde, a beleza das cidades, sua relação com elas é importante. Mas mais sério ainda é o aquecimento global. A fumaça soltada hoje pelo seu escapamento vai virar a enchente, o furacão, o deserto, a epidemia de amanhã. E, na boa, a coisa já está bem feia.

O mundo onde os nossos filhos vão viver já está irreversivelmente comprometido. E o mundo onde nossos netos vão viver talvez não tenha nem condições de abrigar seus netos. É sério, esse é o tema mais importante do mundo, é a grande questão, é o grande problema. Tão grande que talvez nem vendendo o carro a gente seja capaz de fazer alguma diferença. Ainda assim, não vale a pena ficar com a consciência tranqüila? E ainda ganhar de brinde uma vida melhor? Então, venda seu carro!

Denis Russo Burgierman
Acha um absurdo usar uma máquina de uma tonelada e meia para carregar uma pessoa de 70 quilos.

gambiarra@abril.com.br
http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/052/caminhos/conteudo_270251.shtml

sábado, 12 de abril de 2008

A Ponte de R$ 230 milhões

Parabéns São Paulo por mais um monumento ao congestionamento e a segregação. Seja bem vindo "Estilingão"!!!

10/04/2008

Estilingão - Ponte Estaiada do Morumbi

No final desse mês, São Paulo irá ganhar um presente, muito útil para alguns, inovação tecnológica para outros, praticamente uma obra de arte dirão outrens, mas no meu ponto de vista, não passa de um reflexo da política pró caos que impera a dezenas de anos em nossa cidade.

Como disse um amigo meu, “Uma ponte milionária com o nome do dono da Folha, que leva até a avenida do dono da Globo, em uma região feita para os carros e que é o centro da especulação imobiliária em São Paulo... Lindo!”

Já outro fez uma relação mais simples e direta: “Meios de comunicação em Massa X Especulação Imobiliária X Cultura do automóvel individual”

Eu particularmente acho esse troço feio, bizarro, mas gosto não se discute, tem gente que acha até eu bonito! Mas vamos analisar o que e a quem essa obra irá beneficiar. Um motorizado me disse o seguinte, “ela será útil quando alguém do Morumbi quiser ir para o Aeroporto, assim não precisa pegar a Bandeirantes”. Como a grande maioria da população tem que ir para o Aeroporto diariamente, tá aí uma boa utilidade.

O mais interessante é que ela não terá acesso direto ao Morumbi, suas rampas acessarão a pista expressa da Marginal Pinheiros sentido Interlagos, mas indiretamente trará alívio aos moradores desse bairro, já que a maioria dos motoristas que seguem para Santo Amaro e Interlagos vão usar a ponte nova.

O problema é que, logo nos primeiros dias, já teremos trânsito lento em cima da ponte, pois nos horários de pico é comum a Marginal, sentido Interlagos, ficar completamente parada, desde a ponte Transamérica até a ponte do Morumbi. Portanto só servirá para mudar a direção do congestionamento e também para transferir o caos da Berrini para as ruas residenciais do Brooklin.

O que mais me indigna é que essa ponte custou 230 milhões de reais. Sabe o que poderíamos fazer com esse dinheiro? Construir 100 km de corredores de ônibus, ou mesmo, 1000 quilômetros de ciclovias. Isso mesmo, já que o custo médio de uma ciclovia gira em torno de 200 e 250 mil reais.

Mas para quem interessa a construção de ciclovias? Para as montadoras é mais fácil jogar no ventilador que a única solução é o Metrô. Como deve demorar uns 100 anos para atender toda a cidade, eles ganham um tempo considerável para continuarem vendendo carros como se fossem bananas. Agora, se em 4 anos a cidade tiver 1.000 km de ciclovias, isso pode levar mais de 2 milhões de ciclistas as ruas, sendo que, segundo pesquisas, 1 milhão desses ciclistas podem ser motoristas, já imaginaram o transtorno que causaríamos?

Veja a pesquisa Ibope-Nossa São Paulo completa.

Um outro ponto que ninguém da grande mídia menciona é que ganharemos não só mais uma ponte, mas também um símbolo do descaso em relação as nossas as leis. Mas para que se preocupar com leis se a maioria dos motoristas ignora as mais básicas leis de trânsito? Não podemos cobrar que nossos governantes façam o mesmo não é? Mas voltando ao descaso, essa obra não poderia ter sido feita em lugar melhor.

Em 3 de fevereiro de 1995, foi promulgado o Decreto 34.854, que regulamenta a lei 10.907 de 1990, o decreto diz o seguinte:

Art. 1º - Os futuros estudos, projetos e obras viárias no Município de São Paulo, visando a construção de avenidas, contemplarão, obrigatoriamente, espaço destinado a implantação de ciclovias.


Como a avenida Águas Espraiadas (hoje Roberto Marinho) foi inaugurada em janeiro de 96, em cumprimento a essa lei, foi construída uma ciclovia de 200 metros, numa avenida de 4,5 quilômetros.

Ciclovia Avenida Roberto Marinho - Águas Espraiadas
Inicio da Ciclovia com o "marco inicial" no meio dela.

Ciclovia Avenida Roberto Marinho - Águas Espraiadas
Fim da ciclovia, como você é bobinho, achou que ela iria até o final da avenida?

Esse mesmo decreto prevê também:

Art. 4º - Os novos projetos para implantação de avenidas que impliquem construção de pontes, viadutos e aberturas de túneis deverão prever que essas obras de arte sejam dotadas de ciclovias, integradas com o projeto de construção da avenida.

Seria uma perfeita oportunidade de compensar uma das maiores injustiças dessa cidade em relação aos ciclistas e pedestres que são as pontes de São Paulo, mas como esta bem claro na foto abaixo, perderam mais esta oportunidade. Aliás, essa é a única sinalização oficial, que diz respeito a Bicicleta, que você encontrará com facilidade na cidade de São Paulo.

Estilingão - Ponte Estaiada do Morumbi

Já tentou atravessar a pé alguma ponte da cidade? Faça o teste e vá bem preparado para a aventura, pois em praticamente nenhuma ponte da cidade você consegue realizar uma travessia segura. A única ponte onde pedestres e ciclistas conseguem atravessar com “relativa” segurança é a ponte do Morumbi. Já cadeirantes, me desculpem, continuem sem poder atravessar nenhuma ponte da cidade.

Pontes de São Paulo - João Dias
Pedestre, atravesse sobre a faixa de pedestres. Como assim que faixa?

Pontes de São Paulo - João Dias
Atravesse calmamente pois nessa cidade você tem a preferência.

Mas fazer o que? Com certeza teremos muitas pessoas elogiando esse trambolho, até alguns pedestres que nem carro possuem ou mesmo motoristas que jamais passarão por essa ponte por morarem tão longe daqui.

Fruto dessa cultura de glamorização do patrimônio motorizado e de uma política absurda em benefício ao transporte individual motorizado. Mas de quem é a culpa, do governo? Claro que não, a culpa é da população, que influenciada ou não, foram eles que pediram isso aos políticos. A 15 anos atrás, metade dos motoristas de hoje andavam apenas de ônibus. Mas ao invés de exigirem uma melhoria do transporte público, resolveram pedir mais avenidas e pontes para usarem seus carros quando tivessem dinheiro (ou crédito) para comprar.

Antes de encerrar, não podemos citar a questão da Favela Jardim Edith, aquela que fica ao lado do Estilingão. Você sabia que querem tirar aquele povo dali e mandarem para o Campo Limpo a 18 km de distância, ou dar um cheque despejo no valor que varia de 5 a 8 mil reais?

Estilingão - Ponte Estaiada do Morumbi

Detalhe 1: Na região do Campo Limpo existem diversos moradores que vivem em áreas de risco, ou mesmo na beira de córregos sem a menor infraestrutura sanitária. Porque não alocar nessas construções da CDHU pessoas da região, ao invés de trazer de uma vez uma enorme população para uma área já densamente habitada?

Estilingão - Ponte Estaiada do Morumbi
Moradia do Campo Limpo, próximo aos prédios da CDHU.
Exibir mapa ampliado

Porque não construir em um terço da área da atual Favela Jardim Edith, "predinhos" de 4 andares no máximo, sem elevadores, para alocar os moradores da região e no resto da área, construir uma grande área de lazer para a população?

Detalhe 2 que responde o Detalhe 1: Relatório emitido pela Emurb em no final de 2007, informa que a Prefeitura deve arrecadar R$1,126 bilhão com a venda de potencial construtivo na região da Operação Urbana Águas Espraiadas. Ou seja, dá pra construir 4 pontes daquelas só com o "terreninho" ali do lado.

É isso aí povo de São Paulo, parabéns, essa ponte é o símbolo de uma conquista de vocês, não era isso que tanto queriam? Continuem pensando e agindo assim, já que dentro de seus bólidos pouco importa se suas atitudes estimulam as injustiças que ocorrem em sua cidade. O mais importante não são mais vias para seus carros? Portanto aproveitem e saboreiem essa nova vitória, pelo menos enquanto tiverem ar para respirar.

André Pasqualini
http://www.ciclobr.com.br/

A preguiça humana

DRAUZIO VARELLA

A preguiça humana

Se você é daqueles que esperam a visita da disposição física para fazer exercícios, desista

MAL DESEMBARQUEI no aeroporto Santos Dumont, dei de cara com uma jibóia contorcida que avançava em passo de procissão. Era uma fila longa e grossa constituída por mulheres com trajes formais e homens de terno escuro, ejetados pelos aviões que aterrissavam no primeiro horário da manhã.
Usuário contumaz da ponte aérea que liga São Paulo ao Rio, jamais havia me deparado com aquela aglomeração ordeira.
Assim que a jibóia fez a curva, saí de lado para enxergar a origem do congestionamento. Não pude acreditar: a fila desembocava na boca da escada rolante. Ao lado dela, a escada comum, deserta como o Saara.
Imaginei que houvesse alguma razão para tanta espera, quem sabe a escada mecânica estivesse obstruída; mas, como não percebi nenhum obstáculo, caminhei em direção a ela. Não fosse a companhia de um rapaz de mochila nas costas, dois degraus à minha frente, eu teria descido no desamparo.
Se ainda fosse para subir a escada rolante, o esforço maior e a transpiração àquela hora da manhã talvez justificassem a falta de iniciativa. Os enfileirados, no entanto, berrando em seus celulares, em pleno vigor da atividade profissional, recusavam-se a movimentar as pernas mesmo para descer.
Se perguntássemos para aquele povo se a vida sedentária faz bem à saúde, todos responderiam que não. Pessoas instruídas estão cansadas de ler a respeito dos benefícios que a atividade física traz para o corpo humano: melhora as condições cardiorrespiratórias, reduz o risco de doenças cardiovasculares, reumatismo, diabetes, hipertensão arterial, câncer, degenerações neurológicas etc.
Por que, então, preferem aguardar pacientemente a descer um lance de degraus às custas das próprias pernas?
Por uma razão simples: o exercício físico vai contra a natureza humana. Que outra explicação existiria para o fato de o sedentarismo ser praticamente universal entre os que conseguem ganhar a vida no conforto das cadeiras?
A preguiça para movimentar o esqueleto não é privilégio de nossa espécie: nenhum animal adulto gasta energia à toa. No zoológico, leitor, você jamais encontrará uma onça dando um pique aeróbico, um gorila levantando peso, uma girafa galopando para melhorar a forma física. A escassez milenar de alimentos na natureza fez com que os animais adotassem a estratégia de reduzir o desperdício energético ao mínimo.
A necessidade de poupar energia moldou o metabolismo de nossa espécie de maneira tal que toda caloria ingerida em excesso será armazenada sob a forma de gordura, defesa do organismo para enfrentar as agruras dos dias de jejuns prolongados que porventura possam ocorrer.
Por causa dessas limitações biológicas, se você é daquelas pessoas que esperam a visita da disposição física para começar a fazer exercícios com regularidade, desista. Ela jamais virá. Disposição para sair da cama todos os dias, calçar o tênis e andar até o suor escorrer pelo rosto nenhum mortal tem.
Encare a atividade física com disciplina militar ou esqueça-se dela. Na base do "quando der, eu faço", nunca dará.
Falo por experiência própria. Sou corredor de distâncias longas há muitos anos. Às seis da manhã, chego no parque, abro a porta do carro e saio correndo. Não faço alongamento antes, como deveria, porque, se ficar parado, esticando os músculos, volto para a cama. Durante todo o percurso do primeiro quilômetro, meu cérebro é refém de um pensamento recorrente: não há o que justifique um homem passar por esse suplício.
Daí em diante, as endorfinas liberadas na corrente sangüínea tornam o sofrimento mais suportável. Mas o exercício só fica bom, de fato, quando termina. Que sensação de paz e tranqüilidade! Que prazer traz a certeza de que posso passar o resto do dia sentado, sem o menor sentimento de culpa.
Se eu perguntasse às pessoas daquela fila por que razão levam vidas sedentárias, todas apresentariam justificativas convincentes: excesso de trabalho, filhos que precisam ir para a escola, obrigações familiares, trânsito, falta de dinheiro, violência urbana.
No passado, diante desses argumentos, eu ficava condoído e me calava. Os anos de profissão mudaram minha atitude, entretanto: escuto as explicações em silêncio, mas não me comovo com elas. O coração vira uma pedra de gelo. No final, quando meu interlocutor pergunta como poderia encontrar tempo para a atividade física regular, respondo:
"Isso é problema seu."

quarta-feira, 26 de março de 2008

SAÚDE, MANIPULAÇÃO GENÉTICA, LUCRO E FALTA DE ESCRÚPULOS

CANOLA - A PLANTA QUE DEUS NÃO CRIOU:

A canola é mais uma destas histórias atuais, que mostram como a ciência, afastada do comum das pessoas, se torna cúmplice de atitudes públicas, que podem ser perigosas para a saúde coletiva.
Em primeiro lugar, é preciso estabelecer a seguinte questão: o que é canola, que, afinal, nem consta nas encicoplédias (Comptons e Encarta de 96)? Vejam só: canola é novo nome da Colza. Colza? Novo nome? O que é isto afinal?

Bem, a Colza é uma planta da família das mostardas. É a mesma planta que foi a fonte de produção do agente mostarda, gás letal usado de forma terrível na Guerra Mundial. O óleo de colza é utilizado como substrato de óleo lubrificante, sabões e combustível, sendo considerado venenoso para coisas vivas: ótimo repelente (bem diluído) de pragas em jardins. Este poder tóxico é proporcionado pela alta quantidade de ácido erúcico que contém. Tem sido usado de forma alimentar no Extremo Oriente, na forma não refinada, e contrabalançada com uma dieta rica em gordura saturada, o que evitaria seus graves efeitos tóxicos. No entanto, no ocidente o objetivo era se produzir um óleo com pouca gordura poliinsaturada, e boa quantia de ácido oléico e omega-3.

O óleo de oliva tem estes predicados, mas sua produção em larga escala é dispendiosa. Aí entram em cena empresas de "ótimas intenções", como a Monsanto, que produz uma variação transgênica da colza. Para evitar problemas de marketing, usa o nome CAN - OLA (Canadian oil - ou óleo canadense). Isso mesmo: CANOLA é absolutamente transgênica. Sua comparação aos benefícios do óleo de oliva não passa de uma estratégia de venda: o óleo de oliva é bem mais caro, mas o de canola é mais caro do que os outros óleos, apesar de ser de produção baratíssima! Bom negócio, enfim. Bem, se você não queria usar transgênicos sem
seu expresso consentimento, mas já usou o óleo de canola, talvez até aconselhado pelo seu cardiologista ou nutricionista, fazer o quê?

Perdemos o direito desta opção quando nos foi retirada toda a informação. Mas se é tão bom assim como se diz, por que não informar tudo a respeito? O óleo de canola está longe de ser tão salutar assim como se alardeia. Se observarem bem, pode deixar um cheiro rançoso nas roupas, pois é muito facilmente oxidado, e seu processo de refinamento produz as famigeradas gorduras trans (igual problema das margarinas), relacionadas a graves doenças, incluindo o câncer. Produz déficit de vitamina E, antioxidante natural. humano, e alimentos feitos com canola emboloram mais rapidamente. As pequenas quantidades de ácido erúcico, que ainda persistem na planta alterada, continuam sendo tóxicas para consumo a ação tóxica é cumulativa.

Existem relatos de inúmeras outras enfermidades ligadas à ingestão e até mesmo à inspiração de vapores de canola (possível vínculo com câncer de pulmão). A canola também ilustra um jeito de funcionar das mega empresas de biotecnologia. Em abril de 2002, nos Estados Unidos, o CFS (Centro de Segurança Alimentar) e o GEFA (Alerta de Alimentos Geneticamente Produzidos) pediram uma investigação criminal contra a Monsanto e a Aventis, mais o Departamento Americano de Agricultura, que haviam permitido o ingresso ilegal de sementes de colza modificada para dentro do território americano antes da aprovação legal desta importação para produção local.

Aqui e lá tudo funciona meio parecido. A própria liberação da canola no território americano contou com estímulo de US$50 milhões do governo Canadense para que o FDA - órgão regulador - facilitasse seu ingresso na indústria alimentar de lá, mesmo sem os adequados estudos de segurança em humanos. Enfim, novamente nos defrontamos com uma situação em que a mão do homem subverte o bom-senso entre ciência e saúde, ao que parece porque os interesses econômicos são muito mais persuasivos que os interesses dos consumidores.

Mas o pior é que não podemos contar com os meios de informação, que sistematicamente informam o que interesses maiores julgam mais oportuno. A canola, podemos ter certeza, é uma fração pequena do mundo obscuro do capitalismo científico, que pesquisa fontes de enriquecimento muito mais entusiasticamente do que as verdadeiras fontes de saúde, vida e paz!